Não gosto de plantar, mas

Mas há umas semanas peguei num vaso antigo cá de casa e decidi plantar pimentos padrón e malaguetas.

Sem grande plano.
Sem demasiadas expectativas.
Só terra/substrato, sementes e tempo livre.

Estamos tão habituados a querer resultados rápidos que até plantar já parece um exercício de mindfulness.
Pus as sementes na terra e, nos dias seguintes, dei por mim a olhar para o vaso como quem espera um milagre.

Nada.
Só terra.
E mesmo sabendo como as plantas funcionam, uma parte do cérebro pensa sempre:
“Então? Já devia estar qualquer coisa a acontecer.”

Mas não.

A terra tem o seu tempo.
Acho bonito isso.

Vivemos numa altura em que tudo é rápido, e no meio disso esquecemo-nos que algumas coisas crescem devagar porque precisam mesmo desse tempo.

O meu vaso continua meio triste.
Tosco até.
Mas todos os dias leva um pouco de água e confesso, até um pouco de conversa.
Talvez seja isso que andamos todos a precisar:
menos obsessão pelo resultado imediato e mais capacidade para cuidar.

Mas ontem, tive os primeiros sinais a brotar da terra.

e hoje, o vaso já está mais ‘verde’