Dia de santa coisa nenhuma

Confesso que já caí nestas armadilhas.

A armadilha da preguiça.

De seguir a manada.

De trilhar o caminho mais vincado na terra.

Refiro-me ao uso do calendário ‘editorial’ de marketing

Seja recorrendo ao calendário da E-goi , à Wikipedia ou até do Borda d’água.

Dia do Sorriso, do Chocolate, da Mãe e de São Valentim.

Do São João, ou da morte de Ayorton Senna, da Primavera, ou até por ser dia de plantar feijões ou regar os batatais.

É preguiça.

E a preguiça paga-se caro.

Olha quanto pagas por uma rosa a 14 de fevereiro.

Confidenciou-me a Marta V. que devo ser ótimo a oferecer prendas, por ter escrito ontem que:

“Tenta identificar pontos de interação com o teu comprador onde possas:

  • surpreender
  • ser inesperado
  • ser memorável
  • fazê-lo sorrir

Se possível tudo isto.

Pensa numa rosa no dia 14 de fevereiro.

Não é inesperada, não surpreende e não é memorável.

Ok, talvez faça sorrir.

Pensa agora neste cenário:

  • Envias segunda-feira um pequeno ramo de flores, discreto, para o emprego ‘dela’.
  • Pedes à florista que escreva uma mensagem. Inclui uma private joke que não seja interpretada por mais ninguém, apenas por ‘ela’. Pode até ser as iniciais do nome carinhoso com que se tratam.
  • Junta uma caixa de bombons.

O ramo é para ela.

Os bombons serão para partilhar com as colegas do trabalho.

  • Surpreendeste.
  • Foste inesperado.
  • Foste memorável.
  • E fizeste-as sorrir. A ela e às amigas dela (exceto às invejosas do emprego 😉)

Imagina agora como se sentirão as colegas dela, quando os maridos lhes oferecerem uma rosa no 14 de fevereiro.

“Pena estar casada com um preguiçoso”, dirão algumas.

O mesmo se passa com os teus compradores quando amanhã lhes falares do dia da mãe, ou nos outros dias assinalados.

Quanto a mim, amanhã não estarei com a minha mãe, e ela não sentirá falta.

Porque também ela recebe flores e chocolates quando menos espera.

Às vezes recebe apenas porque é Dia de santa coisa nenhuma.

Tudo de bom,