Estas últimas semanas têm sido aceleradas.
- As audições de dança da minha filha.
- Formações presenciais com alunos estrangeiros
- O regresso aos treinos de wrestling e MMA
- Projetos acumulados no trabalho.
- Montes de livros por ler.
Apercebi-me que há algum tempo que não parava um pouco para estar com a minha filha.
Ontem, ela tinha saído à noite e de manhã foi dar um passeio com os amigos.
“Chego lá para as 14h”, disse-me antes de fechar a porta ao sair.
Hoje sábado, é dia de treino que nunca acaba antes das 13h e qualquer coisa.
Por isso, antes do treino decidi ir ao mercado de Matosinhos.
Adoro o nosso mercado.
Passear pelas bancas e deliciar-me com tanta variedade de peixe e marisco.
Cheira a mar.
Imagino as traineiras a chegarem ao porto carregadas com todo este peixe.
Mas tinha um objetivo, procurava amêijoas.
Ali estavam elas em pequenos sacos de rede vermelha.
Sei que não devemos, mas não resisto a dar pequenos toques nas amêijoas e ver as reações delas a fecharem-se.
Trouxe ‘apenas’ 3 sacos.
Deixei uma encomenda de sardinhas para o São João.
Depois subi as escadas e fui buscar cebolas, alhos, limões e coentros frescos para a receita ‘ªa Bulhão Pato’.
No piso superior do mercado, já não se sente o cheiro a mar, mas sim a campo.
Das frutas, dos tomates e das flores.
Deixei tudo em casa antes de ir treinar.
Depois do treino, acertei as horas com a Rita.
“Afinal chego só às 14h30”
Dá tempo de ir comprar uma sêmea para acompanhar o prato.
Ao chegar a casa, fui para a cozinha.
Organizei os ingredientes e fui descansar um pouco.
Passado pouco tempo, chegou a Rita.
Vinha com fome.
Fomos para a cozinha,
Acendemos o fogão, e colocamos o azeite a ferver um pouco.
Enquanto íamos falando distraí-me com os alhos.
Devo ter colocado umas 7 ou 8 cabeças no azeite.
A Rita picou a cebola e colocou-a a alourar no tacho.
Gosto de picar os pés dos coentros e juntar ao azeite.
Em seguida, despejamos os sacos de amêijoas na estrugido.
A cozinha que é pequena ficou a cheirar às ameijoas enquanto ouviamos o salpicar da água largada no azeite.
Falamos sobre tudo o que aconteceu nestes dias e do futuro da Rita.
Abri uma garrafa de JP apesar de eu e a Rita não bebermos.
Beberam as amêijoas.
Como é que a preparação de uma receita com ingredientes tão simples — amêijoas, alho, azeite, coentros — pode facilitar um sentimento de partilha e união de pai e filha tão forte?
Enquanto as amêijoas iam ganhando o sabor dos ingredientes, aquecemos um pouco o pão.
Por fim, quando as ameijoas já suaram mais que eu no treino de hoje, acrescentamos os coentros e deixamos abafar um pouco tapando o tacho.
Não quisemos comer na mesa da sala.
Levamos o tacho para perto do sofá, assim como o pão e um recipiente para atirarmos as amêijoas sorvidas.
Partilhar a preparação de uma refeição e usufruir dela, ajuda criar memórias recheadas de cheiros e sabores.
Não é preciso cedermos a indulgências extravagantes para termos boas memórias, bastando apenas estar presente nas mais simples escolhas diárias que fazemos.
O que fazemos e com quem fazemos.
Hoje fizemos amêijoas. Eu e a minha filha.
Tudo de bom,