Pet Sounds – Beach Boys (60 anos porra)

O Pet Sounds é daqueles discos em que as músicas “não óbvias” acabam por ser as que ficam contigo mais tempo.

Toda a gente fala de God Only Knows, Wouldn’t It Be Nice ou Sloop John B. Merecidamente.

Mas há canções no disco que parecem viver numa zona mais estranha, mais vulnerável.

“That’s Not Me” talvez seja a que mais cresce com a idade.

Tem qualquer coisa de profundamente humana: a tentativa de sair, mudar, afirmar independência… e depois perceber que talvez ainda precises dos outros mais do que gostarias de admitir.

É pequena, quase tímida, mas emocionalmente enorme.

“I Just Wasn’t Made for These Times” continua desconfortável até hoje.

Aquele sentimento de desencontro com o mundo nunca envelheceu.

E o theremin dá-lhe um lado quase fantasmagórico, como se Brian Wilson estivesse ligeiramente deslocado da realidade enquanto canta.

“Don’t Talk (Put Your Head on My Shoulder)” é absurda na delicadeza. Quase não acontece nada.

E precisamente por isso parece íntima de uma forma rara.

É música que respira.

Depois há “You Still Believe in Me”, que me soa cada vez menos a canção de amor e mais a culpa cantada em harmonia perfeita.

Há fragilidade ali. Quase vergonha.


E honestamente?

A instrumental “Let’s Go Away for Awhile” diz mais sobre solidão e beleza do que muitos discos inteiros cheios de letras.

O incrível no Pet Sounds é isso: as músicas mais discretas acabam muitas vezes por ser as mais profundas.

Como pessoas que numa primeira conversa parecem quase banais… mas depois ficam contigo durante anos.