Ontem estava a discutir com amigos sobre política de preços que podes aplicar no teu negócio.
A meio da conversa, lembraram-me que há uns anos eu apregoava que o valor apresentado num orçamento devia ser ‘confortável‘ para as duas partes.
Desta forma, eu, enquanto prestador de serviços não sinto que perco dinheiro, e o cliente, enquanto comprador sente que está confortável com o valor apresentado.
Facilitamos o acordo e apertámos as mãos com mais uma venda. Todos ficavam felizes.
Sim, esta era a minha aproximação à política de preços que usava ao criar os meus orçamentos.
Sim era. Já não é.
Mas antes de te explicar, quero-te falar das francesinhas do Requinte.
Ninguém me consegue convencer a comer francesinha noutro local.
Não vou entrar sequer na discussão da melhor francesinha.
A minha francesinha é a do Requinte. Porque já lá vou comer há muito tempo.
Há mais tempo do que o anunciado no cartaz que indica que começaram em 1991.
Acredita em mim, começaram antes…
Ou seja, há uns 40 anos que me sento no Requinte para comer francesinhas, e ao longo destes anos, não ganhei apenas quilos, também aprendi umas coisas.
No´início, o Requinte era apenas um café vulgar que servia francesinhas baratas.
Custavam 400 escudos.
Lembro-me que se passasses no café durante a tarde, vias mesas com os ingredientes a ser empilhados no meio da sala.
Clientes passavam no meio das mesas, assim como o cão que parava sempre por lá. Nesta altura não se falava em ASAE.
Ganharam fama.
Cada vez se via mais francesinhas a ser empilhadas durante a tarde.
À noite serviam a francesinha em menos de 5 minutos.
Eram boas, baratas e serviam rápido.
Rapidamente ganharam fama, e o preço apenas ia subindo quando a inflação assim mandava.
Eram sem dúvida o melhor café a servir francesinhas no Porto e arredores.
Até que passaram a ser casa de francesinhas.
Virou negócio.
Havia que rentabilizar.
E lembro que aí, entre as várias mudanças de gerência, veio a subida galopante de preços.
Afinal havia fila à porta que chegava até à esquina.
Oito euros e a fila era enorme.
Nove euros e a fila continuava.
Dez, onze, doze…
Aí a fila começou a diminuir.
Hoje em dia, francesinha, batata, bebida e café vai-te ficar por uns 15 euros.
Não é preço agradável para clientes de oito euros.
O produto é o mesmo.
O serviço é o mesmo.
O local é o mesmo.
No Requinte nada mudou, apenas o preço.
Será que mudou mais alguma coisa?
O cliente.
Ao adotar uma política de preço ‘desconfortável’ para o cliente antigo, o Requinte conseguiu uma maior margem de lucro, sendo um negócio mais rentável.
O Requinte não é a Santa Casa e nem o teu negócio o é.
Com a tua política de preço ‘desconfortável’ irás aumentar a rentabilidade do teu negócio, tal como o Requinte.
Não faças a asneira de tentar aumentar a rentabilidade do teu negócio, servindo menos carnes, ou mudando a receita do teu molho para algo com menos qualidade. Ou faturando 8 euros em vez de 12.
Por isso que continuo a dizer que o Requinte é o meu local para francesinhas.
Porque aqui ganho muito mais que apenas quilos.
Tudo de bom