Abençoada asneirada

Há muito tempo, quando eu ainda trabalhava como Consultor de Informática na área Hospitalar, uma experiência inusitada mudou completamente a maneira como eu lidava com os clientes.

Certo dia, enquanto estava no Hospital Sousa Martins, na Guarda, deparei-me com uma situação que me fez repensar minha abordagem. O diretor do Laboratório, um homem grande e simpático (não para todos, mas felizmente para mim sim), chegou ao serviço de muletas. O que inicialmente parecia ser um momento casual de conversa:

“Então, Dr., que lhe aconteceu? Caiu no treino de futebol ⚽ ?” brinquei, sem perceber a seriedade do assunto.
“Nada disso, Pedro. Foi a caminho de Fátima ⛪”, respondeu ele

Não sei porquê, mas ri-me. Não o via como peregrino de Fátima. Assumi que estava a fazer uma piada.

Mas depois acrescentou com um olhar muito mais sério. “Vou a Fátima a pé desde adolescente.”

Não sabia onde me esconder. Felizmente davamo-nos bem, mas a partir daquele dia, nunca mais voltei a fazer apartes engraçados, nem deduzir e imaginar o que fazem os meus clientes quando não são clientes.

Desde então, decidi adotar uma postura mais atenta e ouvinte. Percebi que conhecer mais sobre a vida e experiências dos meus clientes não apenas fortaleceria nossos laços, mas também me permitiria prestar um serviço mais personalizado e eficaz.

Essa mudança de perspectiva não apenas aprimorou minha abordagem profissional, mas também me transformou como pessoa. Entendi que por trás de cada cliente há uma história única, e ouvir essas histórias não só enriquece minha compreensão, mas também contribui para a construção de relações (pessoais e comerciais) mais significativas.

E tu?

Tens histórias de asneiradas que te tornar num vendedor, numa pessoa melhor? Afinal, são as experiências que moldam o profissional e a pessoa que nos tornamos.

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