A formação de IA em Viseu (o valor de quem aparece)

Depois de Itália e da Web Summit, fui a Viseu dar uma formação de IA.
A sala não estava cheia. Longe disso.
E, durante um segundo, aquele reflexo automático quase apareceu:
“Será que vale a pena?”

Mas esse pensamento dura pouco quando sabes ao que vais.
E quando sabes porque vais.

As pessoas que estavam ali… estavam mesmo ali.
Presentes.
Atentas.
Curiosas no sentido mais puro da palavra: queriam compreender, não apenas consumir.

É fácil dar tudo quando tens uma sala cheia.
O verdadeiro trabalho começa quando a sala não está.

Ali, com poucas pessoas e zero pressa, houve espaço para conversar.
Para explorar dúvidas com calma.
Para ligar ideias umas às outras.
Para ensinar sem microfone e aprender ao mesmo tempo.

O Manifesto da Kaksi diz:
Cria com intenção.
Cria como se importasse.
Porque importa mesmo.

E ali fez todo o sentido.
Não se baixa o nível porque são poucos.
Não se corta no conteúdo porque não impressiona ninguém.
Não se acelera porque não há pressão.

Respeita quem está.
Entrega o melhor a quem aparece.
A qualidade não depende do tamanho da plateia.
Depende da tua ética.

Em Viseu, com meia dúzia de pessoas, senti que estava exatamente onde devia estar:
a ensinar com presença, a aprender com atenção,
e a confirmar uma verdade que devia ser óbvia:

Não há app para isto.
Há compromisso.