
Este mês ando a ler Tudo sobre Deus, de José Eduardo Agualusa.
É um daqueles livros que nos obriga a pensar menos sobre respostas e mais sobre histórias.
Ao longo das páginas, Agualusa brinca com uma ideia curiosa: talvez as coisas mais importantes não sobrevivam porque são verdadeiras ou falsas. Sobrevivem porque continuam a ser contadas.
Uma história passa de pessoa para pessoa.
Uma crença atravessa gerações.
Uma memória mantém-se viva porque alguém a repete.
Enquanto lia o livro, pensei várias vezes no tema desta newsletter.
Na Russa com o pregão das cebolas.
E em todos aqueles negócios que continuam presentes no imaginário das pessoas porque nunca deixaram de aparecer.
Talvez a presença seja isso.
Não um momento extraordinário.
Mas uma sucessão de pequenos sinais que lembram aos outros que continuamos aqui.