Durante algum tempo trabalhei com comerciantes do Mercado do Bolhão.
Nunca me esqueço deles (sério), e hoje lembrei-me da Russa das cebolas.

A Russa não é russa.
Mas o cabelo louro valeu-lhe a alcunha.
E todos os dias faz a mesma coisa.
Enche os pulmões e canta o pregão dos legumes.
Todos os dias.
Ano após ano.
Tenho a certeza que não acorda de manhã a perguntar:
“Será que hoje este pregão vai converter?”
Apregoa-oo porque sempre soube uma coisa:
O cliente não é sempre o mesmo.
E até o cliente habitual precisa de saber que continua lá.
A presença não garante vendas.
Mas a ausência garante esquecimento.