
O Livro Vermelho não é um livro normal.
Escrito por um psicólogo, mas não é um ensaio de psicologia nem sequer um livro de respostas rápidas.
É o registo de vários anos da vida de Jung em que decidiu fazer algo pouco comum: parar de procurar explicações apenas na teoria e começar a explorar aquilo que surgia na própria mente.
Durante esse período escreveu visões, diálogos imaginários, sonhos e símbolos.
Não estava a tentar provar nada. Estava simplesmente a observar o que aparecia quando deixava espaço para isso.
Foi também aí que Jung desenvolveu algo a que chamou imaginação ativa.
Em vez de tentar controlar ou interpretar imediatamente as imagens que surgiam na mente, deixava-as desenvolver-se e dialogava com elas, como se fossem personagens de uma história.
O objetivo não era chegar rapidamente a uma conclusão, mas acompanhar o processo e ver até onde aquelas imagens o levavam.
Ler este livro, mostrou-me uma coisa simples: muitas ideias importantes não aparecem quando estamos a forçar soluções. Aparecem quando prestamos atenção ao que já está a acontecer à nossa volta, ou neste caso, dentro de nós.