Esta semana choveu.
Depois de uns dias de sol, a chuva decidiu aparecer.
Disseste-me que a chuva te põe triste.
Não és a única que diz isso.
Mesmo na rua, os vizinhos dizem que a chuva os afeta e perguntam-me se vou na mesma à praia de madrugada em dias de chuva.
Claro que vou.
Tenho a praia toda para mim.
Até a água parece mais convidativa por não a sentir tão fria.
Uso na mesma chinelos na rua, para sentir os pés molhados.
E sempre de sorriso na cara bem levantada para o céu.
Gosto de sentir a chuva na cara.
Vejo nos olhos dos vizinhos, dos amigos e nos teus que estranhas.
Este gajo não bate bem, dizem os teus olhos.
Mas depois, pergunto-te quando foi que deixaste de gostar de andar à chuva?
Lembro-me de corrermos à chuva em crianças e saltarmos com as galochas para dentro de qualquer poça de água que aparecesse à nossa frente.
Lembro-me de sermos adolescentes e andarmos horas à chuva e tentarmos fumar cigarros molhados.
Dizes que também te lembras desses tempos.
E que não sabes quando deixaste de gostar da chuva.
Talvez não tenha deixado de gostar, mas não é suposto andar à chuva, disseste-me
Ri-me de tamanha asneira.
Desafiei-te a irmos caminhar à chuva.
Aceitaste.
Desafiei-te a irmos molhar os pés.
Também aceitaste.
Entramos na mar até aos joelhos.
Riste-te como me lembrava de te rires.
E tu, que lês este texto: quando foi que deixaste de gostar de andar à chuva?
Tudo de bom,