Porque te escrevo

Há uns dias disseram-me que o que escrevo ‘não tem consequência’.

Que devia ser mais claro sobre o que pretendo com os meus textos.

  • Se falo das minhas rotinas, devia fazer um apelo exemplificando como as rotinas são boas para todos.
  • Se falo de um episódio em particular, explicar porque esse momento deve ser lembrado por quem me leu para aprender uma lição.
  • Se falo de disciplina devia criar um mantra, para que quem me lê se lembre dele.

Ouvi com atenção.

Sério que ouvi.

Provavelmente tem razão.

Mas não quero mudar.

Antes de mais escrevo para mim.

Por vários motivos.

Quem me conhece, sabe que gosto de ter exemplos e histórias para contar nas minhas conversas.

Também nas formações.

Ao escrever, relembro de alguns detalhes.

Já tenho quase 3 meses de textos diários.

Uma boa mão cheia de histórias que fui buscar ao baú e que lhes tirei o pó.

Estão de novo no meu alforge, prontas a serem usadas nesta nova vida.

Escrevo também para os meus contactos do LinkedIn.

No entanto, como já aqui tinha contado, há uns anos que estava afastado desta plataforma, pelo que quem se segue, não são as pessoas com quem me cruzo diariamente.

Está a ser bom.

Estou a conhecer mais pessoas fora da minha bolha, ou a reativar ligações antigas de uma forma menos intrusiva ou comercial.

E estou a adorar.

Ainda não estou a escrever para quem já me conhece.

Salvo algumas exceções, muitas das pessoas que me conhecem, familiares ou amigos próximos, não fazem a mínima ideia que aqui escrevo.

E também ainda não lhes disse.

Não o escondo, mas também não o anuncio.

Por exemplo, a minha filha ou os meus pais não sabem que aqui tenho escrito sobre eles sequer.

Não quero que estes textos tenham água no bico para um negócio.

Se um dia assim o entender, serei claro antes de o fazer.

Para já, fico contente de me dizerem que parece que me vão conhecendo melhor, texto a texto.

Para já, deixo que os textos sejam pequenas cartas que escrevo.

Um recadito de mim e talvez para ti.

E que um dia que já não possa voltar a contar algumas destas histórias, alguém que as venha a ler, diga que até parece que as estava a escrever para ele.

Tudo de bom,