Eu não sou o que pareço

  • Um monge veste-se com a sua túnica.
  • Um sacerdote põe o colarinho.
  • Um banqueiro usa um fato caro e anda com uma mala.

(lido hoje em Estoico todos os dias de Ryan Holiday)

Mas poderia acrescentar:

  • O estudante universitário usa fato académico
  • O empresário usa colarinho branco
  • O artista tem a camisa manchada com tinta
  • O médico passeia o estetoscópio Littmann ao pescoço

Frequentemente, estes uniformes ditam o tratamento que recebemos ou damos durante os nossos dias.

Tratamos por tu, você ou o Sr.

Acreditamos ou não no que alguém diz.

Damos hipótese de ouvir o que tem a dizer ou não.

Julgamos de imediato, ou damos o benefício da dúvida.

Mas, e se não fosse possível reconhecer pelo uniforme, imagem ou aparência?

Ou se propositadamente, ignorassemos a forma como alguém se apresenta.

Não vou dizer para imaginares que todos estamos nús… seria demasiada distração.

Mas vamos imaginar que todos nos vestimos com um disfarce de Carnaval ou Halloween mediante a década em que nasceste.

Que ideia poderias tirar das outras pessoas?

Provavelmente não seria do estatuto que elas ocupam na sociedade.

Não seria fácil saberes qual a profissão, nível de rendimentos, escolaridade ou que locais frequenta.

Mas poderias imaginar do que ela gosta, quais os seus sonhos ou até o tipo de personalidade.

Na minha opinião, informação muito mais interessante e que pode desencadear muitas mais conversas.

Provavelmente até permitirá que possas conhecer pessoas fora da tua bolha institucional, mas que façam parte da tua tribo.

Imagina o que poderias imaginar sobre mim sabendo que sou Informático de formação e ‘especialista’ na área de criação de sites de e-commerce.

Garanto-te que tenho muito mais em comum com pessoas que não são informáticas nem especialistas em e-commerce.

Por isso vibramos quando fazemos ressonância com pessoas fora do nosso círculo:

  • daquelas que gostam de meias amarelas.
  • ou que sabem quem foi Miyamoto Musashi.
  • ou que sabem completar a frase: Tenho um sorriso fechado na palma da minha mão…
  • ou que quando dizemos que usamos sempre a mesma roupa: não nos respondem com Steve Jobs mas com Seth Brundle (Jeff Goldblum) do filme a Mosca.

É por isso que tento não fazer suposições com base no que as pessoas vestem, mesmo aquelas que vestem para causar uma impressão.

Sinto que perco oportunidade de conhecer alguém que pode pertencer à minha tribo.

Qual tribo?

A dos maluquinhos que usam sempre chinelo de dedo, calções e vestem apenas t-shirts (sim, sou eu).

Mas eu não sou o que pareço.

E tu? És o que pareces?

Tudo de bom,