Tinha o Emanuel à minha frente.
Era mais alto e mais forte que eu.
À cintura ambos tinhamos um cinturão verde.
A minha mão esquerda estava enfaixada devido a uma lesão que sofri na meia final de kumité (combate de karaté).
Era a primeira vez que chegava a uma final.
Os combates duram 3 longos minutos.
Não sei contar ao pormenor como correu o combate. Não havia telemóveis para filmar na altura.
Sei o que me disseram antes:
Que estava de parabéns. Tinha conseguido chegar à final.
O Emanuel treinava na minha academia e nunca nos treinos eu tinha conseguido vencê-lo.
O meu mestre (José Maia) pediu para me proteger. A lesão da mão podia piorar.
Julgo que terá sido mais no início do combate que pontuei com um Mawashi geri (pontapé circular).
Não me lembro do resto do combate, mas devo ter recuado e defendido ao máximo a minha posição.
Lembro bem do final.
Assim que o árbitro terminou o combate, ouvi os gritos que me rodeavam e senti levantarem-me no ar.
Este foi o meu momento Karaté kid.
Alguns anos depois deixei o Karaté por ter entrado no ISEP.
Mas a sensação de ser um David frente a um Golias não foi esquecida.
Trinta anos depois, voltei às artes marciais.
Tinha-me separado e estava decidido a recomeçar com algo que me desse confiança.
Reparei que no mesmo local onde tinha treinado Karaté por 13 anos, existia agora uma academia de Brasilian Jiu-Jitsu.
Irei fazer 5 anos em Outubro que voltei a usar um kimono.
Aqui, na Champions MMA ganhei uma nova família, disciplina, treino e foco.
Foi também neste regresso que conheci a obra de Myamoto Musashi.
Todas estas circunstâncias vieram trazer-me a certeza de um novo rumo e de uma forma diferente de estar na vida.
Amanhã conto-te como e porquê.
E tu, tiveste algum momento David e Golias na tua vida?
Se sim, partilha nos comentários.
Tudo de bom,