O sol abrasava o horizonte, anunciando um dia de aventura.
À minha volta, erguiam-se montanhas imponentes.
As encostas verdes contrastavam com um céu azul limpo.
O telemóvel ia fixo no guiador da mota.
Sem sinal. Nem de rede nem GPS.
Tinha decidido partir numa aventura sem destino, saindo em direção ao desconhecido, e aqui estava eu.
Tinha arrancado junto à fronteira na direção da minha sombra.
Já andava há várias horas a descobrir novos trilhos.
Quando dei por mim, estava num caminho de terra batida sem marcas visíveis.
Perdido na beleza das vistas, fiz uma curva mais apertada, movido por um instinto quase primitivo.
Vejo uma longa reta que descia em direção a alguns touros e vacas no meio da estrada.
Parei.
Lembrei-me que não tinha avisado nem amigos nem família de que iria ‘desaparecer no mapa’ este fim de semana.
Com a mota em ponto morto e a segunda engatada, deslizei pelo caminho em direção a um dos touros que me fitava.
Ao aproximar, desviou-se lentamente, e passei respirando de alívio.
Podia continuar.
Fiz mais uns quilometros, entre curvas, subidas, descidas, muito pó e um sol abrasador.
Parei no topo de uma das montanhas mais altas que encontrei.
Encostei a mota.
Servi-me de um café da thermos que ainda vinha quente.
Não sei quanto tempo passei naquele café, mas seria capaz de jurar que ali o tempo passa mais devagar.
Decidi continuar sem saber o que me esperava pela frente.
Já fazia horas que não me cruzava com ninguém.
Os meus pensamentos só eram interrompidos pelas acelerações que o meu punho davam à mota.
Quando achava que nada podia melhorar esta experiência, apercebo-me de um grupo de cavalos selvagens que se aproximavam pelo meu flanco a galope.
Mantive o rumo no caminho e eles juntaram-se à minha viagem.
Devemos ter andado juntos por um quilómetro, até que abrandaram, exceto um pequeno potro.
Veio comigo por mais uns 5 minutos.
Eu e ele.
Até que abrandou e parou.
Um pouco mais à frente, parei também para o observar a galopar de volta para junto dos outros cavalos.
Retomei o caminho, com a mente absorta na recente companhia dos cavalos selvagens até chegar ao alojamento do Selina no Gerês.
Esta podia ser uma grande aventura no oeste selvagem americano, mas não foi.
Foi aqui, a pouco mais de uma hora do Porto.
Muitas vezes procuramos aventuras longe de casa, esquecendo que mais do que a distância, necessitamos da disposição para as viver.
Muitas vezes procuramos a excelência, esquecendo que mais que olhar para fora, necessitamos da disposição para a encontrar junto de nós.
Muitas vezes procuramos a paz, esquecendo que mais que fugir dos outros, necessitamos da disposição para a encontrar dentro de nós.
E tu, onde encontras os ‘teus cavalos selvagens’?
Porque às vezes, a maior aventura está mais perto do que imaginas.
Tudo de bom,