O meu pai tem 88 anos.
Há uma frase que ouvimos cada vez mais.
Acontece quando passamos por alguém que já não nos via há algumas semanas.
“Ah, ainda bem que apareceram. Já estava preocupado. Pensei que lhe tivesse acontecido alguma coisa.”
Rimo-nos, mas percebemos o que querem dizer.
Quando alguém chega aos 88 anos, um mês sem aparecer já parece muito tempo.

E dei por mim a pensar que os negócios são um bocadinho assim.
Quando desaparecem demasiado tempo, as pessoas começam a assumir coisas.
Que fecharam.
Que já não andam por ali.
Que perderam força.
Que mudaram de atividade.
Nem sequer é uma decisão consciente.
É apenas a forma como a nossa memória funciona.
E talvez seja por isso que as redes sociais continuem a funcionar.
Não necessariamente porque cada publicação vá gerar vendas.
Nem porque o algoritmo acordou bem disposto.
Nem porque encontrámos uma fórmula secreta.
Mas porque continuamos a aparecer.
Vejo muitas empresas a olhar para cada publicação como se fosse um vendedor.
Publicam hoje.
Esperam resultados amanhã.
É aqui que muitas PME desistem demasiado cedo.
Porque esperam que cada publicação venda, em vez de perceberem que muitas vezes ela está apenas a lembrar os clientes que continuam abertos, ativos e relevantes.
A presença não garante vendas.
Mas a ausência garante esquecimento.