Provavelmente já leste ou pelo menos já ouviste falar do livro “A arte da guerra” de Sun Tzu.
E o “Livro dos Cinco Anéis” de Miyamoto Musashi?
Myamoto Musashi foi um mestre da estratégia, samurai e espadachim.
Ficou famoso pela sua habilidade em lutar com duas espadas nos duelos.
Diz-se que lutou e venceu mais de 60 duelos, e sobreviveu para morrer de velhice.
No final da sua vida escreveu o Livro dos cinco anéis.
Musashi dividiu o livro em cinco partes, inspiradas nos elementos da terra, água, fogo, vento e vazio, cada uma delas representando diferentes aspectos da luta e estratégia.
Li e reli este livro há uns 4 anos e fiquei marcado pela sua leitura.
Enquanto n’A Arte da Guerra, Sun Tzu foca-se na estratégia militar em larga escala, n’O Livro dos cinco anéis, Musashi oferece uma perspectiva mais individualizada, mais centrada na habilidade e técnica pessoal, bem como na filosofia do caminho do guerreiro.
Vamos então falar destes 5 aneis
O livro divide-se em cinco partes, cada uma representando um anel:
Terra
Musashi discute a importância da compreensão do ambiente e do contexto para conseguir planear com sucesso.
Basicamente, definir e conhecer as regras do jogo.
Imagina um cenário no início de um projeto, onde antes de delegares tarefas, investes tempo a compreender cada elemento da tua equipe, as suas capacidades e limitações, assim como o ambiente de trabalho e as expectativas de todos.
Água
Musashi explica como a adaptabilidade é crucial e compara o movimento fluido e ininterrupto das técnicas com o fluxo da água.
Ser como a água significa ajustar às mudanças de circunstâncias e ser resiliente frente aos desafios.
Quando enfrentamos atrasos inesperados e mudanças nas especificações por parte do nosso cliente, podemos adaptar rapidamente a estratégia, reorganizando as prioridades da equipe e ajustando os planos sem perturbar o fluxo geral do projeto.
Esta capacidade de ser flexível e adaptável minimiza os riscos e mantém o projeto no caminho certo.
Fogo
Este anel trata da agressividade, do ritmo do combate e das maneiras de controlar a dinâmica da luta.
É sobre a paixão e determinação que trazemos para as metas e desafios.
Saber assumir a iniciativa, ser proativo, e ter a coragem de liderar projetos e enfrentar problemas diretamente.
É com esta iniciativa que numa negociação difícil, conseguimos entrar numa reunião com uma presença enérgica e uma clara demonstração de paixão pelo nosso produto e serviço.
Vento
Musashi incita a examinar as tradições e os estilos de outras escolas de pensamento, permitindo ao praticante entender e contrapor estratégias e técnicas adversárias.
Compreender e respeitar outras culturas e perspectivas é crucial.
Significa ser empático e aberto às diferenças entre as pessoas.
Aprender com a concorrência, entender diferentes abordagens no mercado e estar disposto a incorporar novas ideias e técnicas que possam melhorar o teu desempenho e o da tua equipa.
Vazio
É o mais esotérico dos anéis e fala sobre a importância da intuição, da percepção e do entendimento verdadeiro, que transcende o conhecimento físico e técnico.
Envolve estar em sintonia com o teu instinto e com os sentimentos não expressos dos outros, percebendo o que não é dito.
Saber ler nas entrelinhas, na linguagem corporal em negociações ou decisões de equipa, antecipando problemas antes que eles surjam ou identificando oportunidades.
Estes 5 vetores foram fundamentais para melhorar a minha autodisciplina e o meu desenvolvimento pessoal e tento também aplicar a nível profissional.
Ensinaram-me a importância de saber ser um guerreiro em tempo de paz.
Ensinaram-me a viver em paz, sem esquecer a guerra.
Quis marcar a pele para nunca me esquecer destes princípios.
Tenho tido a oportunidade de os explicar, quando me perguntam sobre a minha tatuagem.
Assim como Musashi me levou a saber qual o meu rumo, e como lá chegar, pergunto-te se estes princípios também te podem ajudar a encontrares uma versão 2.0 melhorada da tua carreira e da tua vida pessoal?
Tudo de bom,