Há uns dias pediram-me para ser juri na apresentação de uns projetos de Empreendedorismo.
Apesar dos projetos serem muito diferentes, notei que o modelo de apresentação era muito semelhante:
- apresentação do problema
- validação do problema
- sugestão de solução
- prós e contras da solução
- apresentação da concorrência
- apresentação da sua solução diferenciadora
Nada contra o modelo, mas ao fim de algumas apresentações tornam-se previsíveis.
E mais monótonas.
As apresentações serviram para validar ideias do projeto e o pitch.
Não era para captar investimento de business angels…
Ou seja, era importante manter o juri e quem mais assiste, interessado e com vontade de fazer perguntas, conhecer melhor o projeto.
Deixar marca.
Que passados uns dias, ainda nos lembremos do que vimos.
Muito provavelmente lembramos daqueles projetos cuja ideia é mesmo muito boa.
Aqueles que têm factor WOW.
E houve.
Mas depois, no meio dos outros, é dificil destacar algum projeto.
Todas as apresentações quiseram mostrar números.
- 36% dos inquiridos consideram que…
- 62% dos inquiridos mostraram interesse em…
- 17% dos inquiridos comprariam…
Balelas.
Todas as apresentações usam estatísticas como um bêbado usa um poste: mais pelo apoio que pela luz.
E então, como podemos usar a menos exata das ciências exatas?
Diria que como um biquini, ou seja, mostrando tudo menos o essencial.
(roubei as ‘piadolas’ do Professor Marcelo Menezes Reis )
E foi exatamente isso que sugeri enquanto juri.
Quando o propósito é criar interações com um juri ou audiência, e não apelar a investidores, porque não usar a estatística a nosso favor.
Caso 1:
Usa a estatística para plantar um número na cabeça do juri.
Imagina que o teu produto ou serviço garante um incremento de x% de faturação, de alcance, de novos clientes?
Ou que o teu produto gasta menos y% de eletricidade, tem menos calorias, etc.
Se queres plantar um número associado ao teu produto, que todas, mas mesmo todas as estatísticas mostrem sempre esse número.
Sim, sei que é falso, mas lembra-te que as estatísticas não mentem, mas existem muitos mentirosos que fazem estatísticas (ainda do Professor Marcelo).
Caso 2:
Apresenta estatísticas pouco provaveis e usa o humor.
- 0% dos meus amigos não usaria este produto.
- 100% dos inquiridos lá em casa, compraria a minha solução.
- 0,0001% dos residentes do meu prédio considera que o isolamento acústico é fundamental, exceto o gajo do 3º Dto que ouve mal.
Não só crias uma memória sobre a tua apresentação, como dás a possibilidade de te questionarem em detalhe sobre os teus números mais tarde.
Caso 3:
Apresenta estatísticas irreais.
- 127% dos inquiridos aprovou a nossa solução.
Podes sempre dizer que confias tanto no teu produto que já sabes as respostas que irás obter nos próximos questionários que serão feitos.
É claro que esta artimanha criativa pode parecer pouco clara ou pouco ética, mas é tão descaradamente irreal, que valerá o risco de a apresentar.
É que o ganho será de criar uma memória sobre a apresentação e talvez até destacá-la das demais.
Esta é apenas uma das formas que podes usar para as próximas apresentações que venhas a fazer.
Sei de facto, que 79% dos comentários a este texto serão de apoio, e outro tanto de pessoas a discordar.
Por isso comenta, deixa sugestões ou partilha mais casos e valida os meus números.
Tudo de bom,