
O Miguel chegou a casa da minha avó vindo da escola para almoçar.
É o meu primo mais novo.
Eu tinha 8 anos e ele 6.
Como dizia, ele chegou a casa e estendeu um papel à minha avó que cuidava dos 3 netos.
No papel estavam 4 letras apenas:
pê, u, tê e à.
A minha avó abriu os olhos e interrogou o meu primo:
“O que é isto Miguel?”
Assustado o meu primo disse:
“Não sei vó, escrevi letras ao calhas”
Não acredito que tivesse sido ao calhas, mas também não acredito que o meu primo soubesse o que tinha escrito.
Afinal a escola tinha começado há muito pouco tempo, e o meu primo tinha apenas dias de escola.
Provavelmente tinha copiado a palavra de algum lado.
Talvez das paredes pintadas na rua.
Sei que eu e os meus tios, nos rimos muito disto, e mais tarde também a minha avó.
A expressão ‘foi ao calhas’, ficou marcada na minha família por esta história.
E hoje em dia?
É frequente ver nas redes sociais, e até aqui no LinkedIn quem não assuma o quer escrever, mas não podendo dizer que foi ao calhas, escudam-se em outros truques.
Éme, asterisco, asterisco, dê, à
Sim, escrevem m**da.
Mas todos sabemos o que escreveram.
Eu leio merda. Todos lemos merda.
Mas insistem em escrever m**da.
Devem ter medo de no Domingo, quando chegarem à missa, o cura lhes pergunte:
“Pecou nestes dias?”
“Não, senhor padre, todas as minhas asneiras são ditas com piii”
“Pode comungar e continuar a ser um bom exemplo para a comunidade”, responde o cura.
Não escreveste a asneira, mas a palavra tem som quando a leio.
Se a queres dizer, assume-a.
Que a única alteração a uma asneira, seja pela intenção que lhe queres dar.
Que da próxima vez que escrevas um m**da, ouças o eco do meu sonoro:
Foudaçe!
Ou será que é com 2 ésses?
Tudo de bom,
Nota: a imagem de destaque de hoje é uma ‘Colagem rasca’ feita pelo Vasco Amaral das Neves.
Assim que leu o texto disse-me:”Já criei aqui uma composição é só ver as imagens que consigo encontrar para isto”
Estou desde ontem a ver cada detalhe desta imagem.
Visitem a página do Vasco. Espero que tenham gostado quase tanto quanto eu.
Mais uma vez, obrigado Vasco.