Born to be alive

Há músicas que marcaram a minha vida.

Mas eu sei qual foi a primeira música que me marcou.

Foi no dia do meu aniversário.

Fazia 7 anos.

O meu tio Paulo ofereceu-me um gira-discos.

Bem, era mais um pequeno brinquedo que tocava singles de vinil, os de 45 rotações.

Sabes, aqueles discos mais pequenos.

Ofereceu-me ainda um single, para que eu pudesse ouvir.

Patrick Hernandez com o seu hit ‘Born to be alive’.

Imagina, teres uma ‘aparelhagem’ só para ti e um único disco single.

De um lado a música de durava uns 3 minutos a tocar.

Do outro lado, a versão instrumental da mesma música.

Ainda tenho esse single.

Ao relembrar esses dias, fico feliz por o meu tio não me ter oferecido um disco para crianças.

Senti-me um ‘homenzinho’.

O meu tio deu-me mais do que um brinquedo; ele me deu-me um passe para o mundo adulto.

Em minha casa apenas tinhamos leitor de cassetes, e eu no meu quarto tinha um gira-discos.

Acho que sempre gostei de música, também por causa deste episódio em que não me trataram como criança.

Muitas vezes não nos apercebemos a importância de tratarmos as crianças, ou adolescentes, os alunos, os clientes, os funcionários, como ‘homenzinhos’.

Seja para proteção deles, para manter alguma distância, ou até o nosso estatuto, há quem insista em prolongar as conversas de criança.

E se todos fizessemos como o meu tio Paulo?

Haveria mais pessoas a dançar Born to be alive 🕺

Tudo de bom,