Não confies na tua mãe…

… nem na tua irmã, tia ou prima.

Já agora, também não confies no teu pai ou irmão.

Pelo menos no que diz respeito a opinião sobre a tua ideia de negócio.

Há muito tempo que acompanho empreendedores nos momentos iniciais dos seus projetos.

Todos eles cheios de dúvidas, incertezas.

Muitas vezes com receio que alguém lhes roube a ideia.

Por isso, as primeiras partilhas são feitas com aqueles a quem nunca lhes passaria pela cabeça trair o projeto: a família mais próxima.

Ou seja, a escolha das primeiras partilhas, não vem por competência ou por ou valor, mas pela confiança de não existir traição.

E o que se pode esperar de alguém que está emocionalmente comprometido contigo?

É que não te queira desanimar, por exemplo.

E irão motivar-te, apenas porque é o seu papel.

Ou vão dar sugestões de alterações à tua ideia, apenas para te sentires apoiado.

E então, em quem deves confiar para ouvires opiniões sobre a tua ideia de negócio?

  • Naqueles que estão habituados a acompanhar arranques de negócios.
  • Naqueles com quem já costumas falar sobre as tuas ideias.
  • Naqueles que te apresentam as dificuldades que não consegues ver no caminho.
  • Naqueles que te ajudam a preparar caminhos alternativos para os cenários mais difíceis.
  • Naqueles que te olham nos olhos e dizem o que se calhar não queres ouvir.

Há aproximadamente 10 anos,

juntamente com mais alguns membros da comunidade WordPress organizamos o primeiro meetup daquela que viria a ser a comunidade WP do Porto.

Nesse evento, falamos de e-commerce e conheci o José.

Esse José apresentou-me uns dias mais tarde o Marco Lamas .

Nunca mais vi o José…no entanto, o Marco passou a ser um dos meus contactos mais próximos no meu percurso profissional.

Estava no começo do meu projeto da Kaksi Media.

O Marco precisava de apoio no desenvolvimento do site da empresa dele (julgo que na IncubIT).

Eu precisava de todo o apoio para começar com o meu negócio.

Para começar: um plano de negócio.

Lembro-me que o Marco foi um chato:

  • quanto vais cobrar por um site?
  • porquê esse preço?
  • o que vais fazer de diferente?
  • e se não te pagarem?
  • como vais angariar clientes?
  • e se tiveres demasiados clientes na mesma altura, como geres as prioridades?
  • e se te pedirem serviços que não tens?
  • e se, e se, e se…

e eu que só queria um raio de um plano de negócio.

Ao longo das semanas seguintes, tinha pensado e repensado com o Marco em dezenas de cenários, hipóteses e justificações para uma quantidade enorme de situações que não me tinham ocorrido.

No final, tinha um plano de negócios.

E o site do Marco estava a funcionar conforme pretendido.

Sei que nos anos seguintes, muitas vezes me lembrei do Marco, porque aconteciam algumas situações formuladas naquelas semanas exasperantes.

No entanto, já tinha alguma ideia de como agir, porque tinha ponderado a frio e não tive necessidade de reagir a quente.

Quando essas situações foram acontecendo, o Marco sempre se mostrou disponível para continuar a apoiar na discussão.

Um dia perguntei-lhe quanto lhe devia.

Ao abrigo da nossa amizade, não me cobrou nada. Apenas disse para me disponibilizar a fazer o mesmo por outros.

É o que tenho feito ao longo destes 10 anos.

  • seja a amigos ou a empreendedores.
  • pagantes ou pro bono.
  • outras vezes, como no caso de amanhã, a troco de um almoço.

Não é Leonor?

Se estiveres a pensar iniciar com o teu projeto de negócio, convida a tua mãe para almoçar e se confiares em mim, agenda depois uma conversa comigo.

Tudo de bom,