Os istas e os anti-istas

Ainda ontem partilhava que ao olharmos para a televisão, para as notícias, para o café, para a rua, para os empregos notamos que estamos ativamente a separarmo-nos por um ismo qualquer.

Sobram adjetivos e faltam ideias.

Não há espaço para discussão, apenas para replicar chavões como se fossem argumentos.

É mais fácil dizer, sou agnóstico do que ter de explicar as dúvidas que desde miúdo me assolam sobre a existência ou não de uma entidade divina e as consequências de cada um dos casos.

No entanto, nunca me assumi como agnóstico.

Acho redutor.

E não me quero colocar ao lado de outros que se assumem como tal.

De repente, teria de justificar as atitudes e comportamentos de outros, que ao abrigo do ‘agnosticismo’ tenham feito, como se fosse um comportamento que eu aprovasse.

Da mesma maneira que hoje em dia muitos católicos necessitam de justificar o comportamento de outros que se assumem como católicos.

E o mesmo se passa para judeus, muçulmanos, conservadores, liberais, socialistas, marxistas, machistas, femistas e feministas, moralistas ou pós-modernistas.

Felizmente, eu e tu somos complexos.

Cheios de nuances, difíceis de encaixar num modelo de duas dimensões ista.

Neste modelo para cada ista há um anti-ista.

Sem ista, eu e tu somos apenas pessoas com uma opinião.

Tal como o Manuel e o António, que souberam manter a amizade apesar dos ismos que os separavam.

Por isso, seja qual a tua opinião sobre estes textos, há sempre espaço nos comentários para discussão de ideias.

Tudo de bom,