Olá,
O meu pai tem 86 anos.
Chama-se Mário e está ativo. Ainda trabalha.
Encontramo-nos religiosamente todas as manhãs no escritório.
Ainda domina o excel e outras ferramentas de gestão, e está capaz de me ensinar uma ou outra fórmula de vez em quando.
Apesar de atualizado e habituado às ferramentas digitais, ainda guarda um ou outro ‘velho hábito’.
Um dos que mais gosto, é o facto de ter guardado os hábitos da carta manuscrita, ou escrita à máquina e os aplicar nos emails.
Sim, o meu pai ainda começa os emails com: ‘Exmos. Srs.’ e indenta manualmente com espaços a primeira linha de cada parágrafo.
Receber um email do meu pai é viajar ao passado, onde se demonstrava respeito e formalidade no tratamento, usando um tom respeitoso e distante.
E o vocabulário?
Erudito, com frases longas e bem estruturadas.
Havia um propósito bem definido, obedecendo uma estrutura padrão, com cabeçalho, introdução, desenvolvimento, conclusão e assinatura.
Ler uma carta de há alguns anos sobre uma reclamação formal ou um comunicado oficial, pode levar-te para o mundo imaginário de Ricardo Reis.
“Na meticulosa caligrafia de seu correio eletrónico, vislumbra-se o eco das eras passadas, um solene testemunho de que, em toda a eternidade dos dias, a dignidade e a compostura jamais deveriam ser destituídas de seu lugar de direito.”
Mas hoje queremos ser informais e próximos de quem nos lê, apesar de publicarmos online para qualquer um que nos queira ler.
E não o conseguimos desobedecendo às regras que o Mário usa.
Usa um destinatário único, mesmo sabendo que serão vários a ler.
Usa uma estrutura, para que seja mais fácil acompanhar o texto.
Tem um propósito claro e bem definido.
Mudaram os canais de comunicação, o tom e a linguagem, mas sabes uma coisa?
Há coisas que nunca mudam. Palavra de Mário
Com os melhores cumprimentos…
Bricadeirinha, tudo de bom,