Fotos de pôr do sol no teu telemóvel

Olá,

Não sei tudo o que tens no teu telemóvel, mas sei uma coisa:

Tens muitas, mesmo muitas fotos do pôr do sol no teu telemóvel.

Como sei isto?

Porque nos últimos anos tem havido cada vez mais pôres do sol (hummm isto existe?) ‘fotogénicos’, mas também porque cada vez mais os telemóveis conseguem captar melhores imagens quando fotografamos.

Ninguém resiste a sacar do telemóvel e registar mais um pôr do sol, para mais tarde relembrar. Se bem que no meio de tantos que fotografamos, a maior parte deles nunca mais os revemos.

Quando fiz 50 anos comprei uma Yashica Electro 35 GTN, uma máquina de rolo produzida nos finais dos anos 60 e inicios dos 70.

Yashica Electro 35 GTN

Não funcionava.

Paguei vinte e cinco euros por ela, o preço de um pisa-papeis nostálgico.

A máquina também devia ter uns 50 anos. Assumi este projeto.

“Dar uma nova vida ao pisa papeis.”

As más linguas podem dizer que me projetei naquela máquina, e que também eu procurava uma nova oportunidade de vida.

Consegui recuperar a Yashica, exceto o contador de fotos do rolo.

Agora, cada oportunidade de foto que tiro, pode ser a última. Nunca o sei.

E se te dissesse que hoje só podias tirar uma foto.

Ou três, ou cinco…

De certeza que não desperdiçarias cada foto, cada momento, cada oportunidade.

Sei que quando estou diante de um pôr do sol com a Yashica, primeiro aprecio o pôr do sol.

Depois penso no enquadramento que farei.

Mentalmente corro as regras do triangulo de exposição: ISO 400, abertura e… click.

Avanço o rolo sem problema até parar na próxima posição pronta a disparar.

“Boa, tenho mais uma foto no rolo.”

Tal como na vida e no trabalho, tudo tem um número limitado de oportunidades e nunca sabemos quando será a última.

Como aquele dia em que jogaste ao Portugal-Espanha na rua com os teus amigos de infância onde marcaste dois golos. E que chegaste a casa muito depois da hora prometida à tua mãe.

Tu não sabias, mas essa foi a última vez que jogaste futebol de rua com os teus amigos.

Ou quando corrias na rua com o teu pai e que não o conseguias apanhar. Quando ele decidia parar e o apanhavas, ele levantava-te no ar e sentias-te no topo do mundo.

Até ao dia que o apanhaste. E quando te levantou sentias-te um gigante.

Tu não sabias, mas quando te baixou não voltarias a correr mais com ele na rua. Essa foi a última vez.

Ou a última vez que deste um beijo à Joana, a tua namorada de adolescência. Depois ela entraria na faculdade, muito longe do Porto, e não mais a voltarias a ver.

Tu não sabias, mas esse foi o teu último beijo inocente.

Hoje, a minha filha tem 17 anos.

Cada dia aparecem oportunidades que podem ser a última.

Algumas até me dou conta e tento não as desperdiçar.

Mas quantas, quantas me passaram despercebidas?

Hoje, e nenhum outro dia é o melhor momento da minha vida.

O dia em que mais oportunidades estão à minha frente.

Eu sei o que quero fazer hoje. E tu?

Hoje, escolhe um momento que normalmente passaria despercebido e dá-lhe o seu pleno valor.

Embora eu pretendesse falar sobre oportunidades de venda, o texto tem vida própria e decidiu vir por este caminho.

A lição é tão abrangente que decerto a consegues aproveitar para o teu negócio.

Quanto a mim, decidi que vou tirar uma foto com a minha filha. Haja oportunidade.