Sim, em tempos era assim que perguntávamos as horas.
Já não te lembras?
Hoje, simplesmente perguntamos: “que horas são?”
Já pensaste porquê?
Quando não tínhamos smartwatches, era assumido que mesmo os relógios mais precisos falhavam.
E não havia problema.
Raramente necessitavas se saber exatamente as horas. A menos que fosses apanhar o comboio.
Não dizias 10 horas e 47.
Dizias, falta pouco menos de 15 minutos para as 11.
E essas eram as horas no meu relógio que garantidamente marcava horas diferentes do teu relógio.
E não havia problema. Afinal os relógios falhavam.
Por isso, se alguém estranhasse as horas, referias por onde o tinhas acertado: acertei pela RTP, acertei ontem pelo sino da igreja, acertei pelo relógio Paulo que tem um CASIO.
Curiosidade para a geração mais nova: julgo que era o 151, o número de telefone para o qual ligavas e ouvias uma gravação de uma voz de mulher, que dizia:
“… ao segundo sinal serão dez horas, trinta e três minutos e vinte segundos, beeeeep, beeeep.”
O segundo beep era o segundo sinal, aquele no qual seriam as tais horas certas.
O preciosismo dos segundos era quase irrelevante, mas servia para sincronizares o teu relógio com a ‘hora oficial’, para não correres o risco de perderes um comboio ou avião.
E para além da hora do relógio que ias acertando, havia ainda o caso dos relógios de algumas famílias que os adiantavam de propósito… mas isso não dá para detalhar neste texto. Mas que havia, havia…
Hoje em dia, o relógio dá mais informação do que as horas e minutos com falhas.
Dão horas certas… ao segundo.
E de repente, passamos a necessitar desta informação.
Mas será que precisamos? Apesar de todos sabermos que temos reunião às 11h, há quem apareça antes e há(sempre) quem chegue depois.
Temos disponível informação mais detalhada, temos mais a noção da passagem do tempo, andamos mais acelerados, mais sujeitos à pressão das horas, ou seja, suportamos as desvantagens mas raramente usufruímos das vantagens.
Acontece o mesmo com toda a informação do nosso negócio, do nosso site, do nosso marketing.
Cada vez temos mais informações disponíveis, faturação detalhada por cliente, por canal de tráfego, por trimestre, mês, dia e hora; novos visitantes vs. segundas visitas, tempo de permanência, origem da visita, orgânico vs. pago; informação mais informação.
De repente, vivemos esmagados com tantos números, tanto detalhe e esquecemos de usufruir das vantagens.
Não te preocupes se o Google Analytics não bate exatamente com os números do Google Ads, ou os registos do alojamento do teu site.
Provavelmente chegam a valores semelhantes a partir de base diferentes: tiveste um aumento de aproximadamente 11% relativamente às visitas do ano anterior e de 7% relativamente às vendas.
Isto são boas notícias, seja por que base de informação os vejas.
Na realidade, cria a informação que necessitas, analisando apenas os dados necessários.
Não é porque podes processar todos os dados disponíveis, que tens de processar todos os dados disponíveis.
Para não correr o risco de me esquecer disto, voltei a usar o meu relógio antigo com small seconds (pequeno indicador de segundos) e voltar a processar blocos de informação e não detalhes.
No meu relógio são mais ou menos 8 e meia.
“E tu, que horas tens?”
Tudo de bom,