Um café a caminho do Bolhão

Vou no metro a caminho de uma das melhores universidades de vendas da Cidade do Porto: o Mercado do Bolhão. Noutro dia conto-te mais sobre o Bolhão.

Como dizia, ia no metro. Sentado a ler o livro de SELL LIKE CRAZY de Sabri Suby.

Senti que alguém me olhava.

Levantei os olhos e vi uma mulher linda. Olhava-me nos olhos.

Aceitei o ‘desafio’ e retribuí o olhar.

Não sei quanto tempo durou aquela conversa silenciosa.

Sem falar, tentei um convite para um café.

A certa altura, lembrei de uma frase que estava a ler no livro:

The person who speaks first, loses.

Diz Sabri que devemos mostrar confiança ao apresentar a nossa proposta. Ser claro, e aguardar a todo o custo por uma resposta do cliente. Uma confirmação para continuar a falar sobre ‘fechar a proposta’

Ela não mudou a expressão, sendo que a troca de olhar continuava.

“Será que entendeu?”

“Será que vai dizer alguma coisa?”

“Raios Sabri, o que fazer agora? Será que se falar vou mesmo perder?”

No livro, ele garante que é assim tão simples. Aguarda pela confirmação após a apresentação da proposta. Não deites tudo a perder.

Chegou o pica. Pediu-nos os andantes. Estava tudo ok.

“E agora, será que perdi a oportunidade do café?”

Depois de arrumar a carteira, volto a olhar para a frente.

A olhar-me nos olhos, ela diz:

“Chamo-me M.G. vamos tomar um café?”

Obrigado Sabri. Afinal lições de vendas funcionam também na ‘vida real’

Quantas vezes já estraguei o fecho de um negócio, porque depois de apresentar a minha proposta não soube aguentar o silêncio e fiz alguma adenda, não deixei o cliente pensar ou não respeitei a pausa do cliente.

Tudo porque sentia-me desconfortável no silêncio constrangedor.

E afinal, podia ser tudo diferente.

Basta lembrar que:

The person who speaks first, loses.

Enquanto tomava um café com a M.G. e falávamos sobre o Porto, sinto alguém a tocar-me no ombro.

Estremunhado, acordei de sobressalto.

Estava sentado no metro e acordaram-me porque tinha deixado cair o livro ao chão.

Olhei à minha volta e nem sinal da M.G.

Peguei no livro e já não continuei a leitura. Tinha chegado à estação do Bolhão.

Tudo de bom,